A pracinha estava deserta quando José sentou-se embaixo dos longos ramos de um velho carvalho para ler um livro.
Desiludido da vida achava que tinha boas razões para chorar, pois, acreditava piamente que o mundo estava tentando afundá-lo.
E se não bastasse suas razões suficientes para arruinar o dia, um garoto todo ofegante chegou, cansado de tanto brincar, parou à sua frente, cabeça baixa e com vós inocente disse:
- Veja o que encontrei!
Em sua mão uma flor.
E que visão lamentável!
As pétalas estavam caídas e murchas, provavelmente pela pouca exposição à luz ou pela falta d água.
Querendo se livrar do garoto com sua flor, José fingiu um pálido sorriso retornando seu olhar para o livro.
Mas ao invés de recuar o garoto sentou-se ao seu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:
- O cheiro é ótimo e é bonita também.
Silenciou-se por instante e complementou:
- Por isso a peguei-a para você; hei-la, é sua.
A flor estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mas José sabia que tinha que pega-la, ou ele jamais sairia de lá.
Após alguns instantes e querendo se ver livre do pequenino intruso José estendeu as mãos para pega-la e respondeu:
- Estava precisando de uma flor para animar meu dia.
Para espanto de José, ao invés de colocá-la em sua mão, o menininho a segurou no ar sem qualquer razão aparente.
Foi nessa hora que José notou, pela primeira vez, que o garotinho era cego e não podia ver o que tinha nas mãos.
José perdeu a vós, lágrimas despontaram ao sol, mal conseguiu balbuciar:
- Obrigado por você ter escolhido a flor mais bonita daquele jardim.
- De nada – disse o menininho com seu sorriso inocente.
E então se levantou e voltou a brincar sem perceber o impacto que havia causado.
José sentou-se e se pôs a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho?
Como ele sabia do seu sofrimento auto-indulgente?
Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão e aprendera a enxergar o que não está visível.
E então José levou aquela feia flor ao nariz e sentiu a fragrância de uma bela rosa, e sorrindo, enquanto via aquele garoto com outra flor em suas mãos, prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade em um outro canto da pracinha.
Empresas inovam, evoluem e têm sucesso. Mas depois de algum tempo muitas estragam, se estragam, declinam e até morrem, não obstante o fato de terem como gestores pessoas inteligentes, experientes e de bom nível.
Poderíamos afirmar que é por falta de visão.
Ficam estagnadas e presas as rotinas do dia a dia sem conseguir enxergar ou sem ao menos tentar construir uma visão futura.
Assim, a maioria dos planos organizacionais falam muito mais em melhorar o presente do que em criar o futuro, por outro lado, as empresas hoje precisam estabelecer e manter um equilíbrio saudável entre continuidade e inovação e esta passa, necessariamente, por uma boa visão.
Diante deste cenário o desafio de planejar em ambiente cada vez mais complexo e competitivo, a visão passou a ter importância fundamental na construção do futuro de pessoas e de organizações.
É preciso ter em mente que a visão sobre o futuro precisa moldar a atuação do presente tanto das pessoas como das empresas e os acontecimentos do presente precisam moldar a visão do futuro, afinal, não se pode criar o futuro, lucrar com o futuro sem antes imaginá-lo, como ensinava o grande Peter Drucker.
Uma visão bem definida energiza a empresa e cria um ambiente propício a novas idéias e como sabemos nenhuma matéria prima é mais relevante para a empresa, seja qual for o ramo em que ela atue, do que as idéias.
Como ensinava o grande Sun Tzu a mais de dois mil anos atrás e que tem muito a ver com a historinha do garotinho cego quando dizia; “não é preciso ter olhos para ver o sol, nem é preciso ter os ouvidos afiados para ouvir o trovão. Para ser vitorioso você precisa ver o que não está visível”.
Talvez este seja o segredo para se construir uma boa visão.
fonte: http://administradores.com.br/artigos/visao_futura_a_licao_do_menininho/22304/


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