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Opinião: Um Cruzeiro Solitário

8 Maio, 2008 · Deixe um comentário

Muitas pessoas vêem o iPhone apenas como um telefone celular anabolizado, mas a bem da verdade, o iPhone representa o primeiro exemplar do nascimento de uma nova plataforma de comunicação e informação. Uma visão óbvia do aparelho seria enxergá-lo apenas como um computador miniaturizado, através do qual as pessoas podem realizar os trabalhos que costumam realizar em seus desktops ou notebooks, como acessar a internet, editar textos, verificar emails, compor planilhas e outras tarefas do gênero. Porém mais e mais a Apple utiliza o ecosistema do iPod para diminuir o vácuo que separa os diferentes equipamentos e programas e para, com o tempo, transferir o centro deste ecosistema, que agora se encontra em cima do programa de gerenciamento de mídias iTunes, para a plataforma iPhone/iPod Touch, gradativamente.

No último mês de Abril, diversas pistas sobre esta estratégia surgiram na mídia especializada em tecnologia, tais como o lançamento de um kit de desenvolvimento para os discos BluRay que permitirá ao iPhone acessar e controlar determinados aspectos dessas mídias físicas, por meio de uma conexão de rede sem fio com os aparelhos BluRay. Também surgiram indícios de que a Apple planeja o lançamento de um programa de controle remoto universal para o iPhone, permitindo-lhe controlar diversos equipamentos domésticos, entre eles, o AppleTV e os próprios Macs. Portanto a plataforma iPhone não se reduz apenas a um meio de processar informações, mas também de controlar o mundo ao seu redor, levando a crer em uma realidade na qual existirá um equipamento tão pessoal para cada um quanto a própria carteira de identidade.

O mais surpreendente deste conjunto todo é que apenas uma única empresa ou grupo parece ter conseguido embarcar sozinho em um campo que promete ser um cruzeiro marítimo pelo Caribe para desenvolvedores de equipamentos e programas. Dentre todas as empresas, a Apple possui uma característica singular entre os diversos fabricantes de equipamentos eletrônicos e de informática, que é ter controle tanto sobre o hardware quanto o software de suas criações. Mas ainda assim, muito poucas empresas parecem conseguir vislumbrar o horizonte que se abre diante de seus olhos. Com exceção da Google.

A Google, quase no mesmo período do lançamento do iPhone, apresentou a plataforma Android, que nada mais é do que um conjunto de parâmetros para a criação de um sistema e de programas para dispositivos móveis, baseados em diversos projetos de código livre, como o Linux e o Java. Porém quase um ano depois, a plataforma Android se restringe a uma quantidade limitada de projetos em empresas de equipamentos telefónicos celulares, com medo da concorrência do iPhone. Ou seja, pelo lado dessas empresas, não existe uma preocupação em integrar esses equipamentos com outros equipamentos, criando uma sinergia entre eles. Crêem apenas que a sedução da mágica das telas sensíveis ao toque bastará por si só para garantir a sobrevivência das suas vendas, sem o desenvolvimento de uma utilidade prática para essa tecnologia que eleve a experiência dos seus usuários para um novo patamar de possibilidades e descobertas. O que é uma pena, pois com a estagnação da Microsoft e a timidez da Sony em criar coisas novas, apenas as soluções de código livre parecem capazes de, ao médio prazo, embarcar neste cruzeiro. Isso se houver um apoio mais amplo de fabricantes de equipamentos eletrônicos e de informática a um projeto de código livre consistente. Porém com o estágio atual de desenvolvimento dessas soluções para a nova plataforma, somente quando o cruzeiro estiver no meio do caminho é que haverá possibilidades de uma alternativa viável embarcar na viagem. Então neste momento, a Apple já será amigo íntimo do capitão e de toda a tripulação e passageiros, além de desfrutar de quase todas as mordomias sozinho.

fonte: http://www.dicas-l.com.br/filosofiadigital/filosofiadigital_20080505.php

Categorias: tecnologia
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Indicação: Gerência de projetos

8 Maio, 2008 · 2 Comentários

Olá Pessoal,

segue o link de um blog que trata do difícil e tão presente tema: Gerência de projetos. Espero que aproveitem…

- http://gerenciapratica.blogspot.com/

tenham um excelente dia!  :-)

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O Poder e seus Jogos

8 Maio, 2008 · Deixe um comentário

Poder distingue aquilo que um indivíduo quer daquilo que ele pode realizar.

O poder basicamente se divide em três tipos: Poder Coercitivo, Poder Utilitário e Poder Normativo. O primeiro é o poder da agressão: faça isso ou você apanha. O segundo é o poder do dinheiro, ou, de forma mais branda, do presente: faça isso que eu te dou isto. O terceiro é mais sutil: faça isso que terá reconhecimento e se sentirá bem – um exemplo típico são as medalhas de honra ao mérito.

Embora seja uma característica determinante, a transitoriedade do poder não raramente é negligenciada.  Entre nós mortais o poder tem tempo finito (mandatos, cargos, carreira, vida, etc.). O poder abre portas e ao seu detentor e lhe confere distinção. O poder é alimentado e alimenta a faminta vaidade.

No poder eminente é necessário reconhecimento. Como bem diz o ditado popular: “Querer não é poder”. Ao Rei, além da coroa, é necessário o reconhecimento da sua autoridade por seus súditos. A ausência desse reconhecimento cria desordem, mas a sua imposição gera revolta. É pela busca de equilíbrio que são feitas leis, normas, regras, acordos, hierarquia, cargos, funções e responsabilidades. Cabe aqui citar outro ditado popular: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo”.

Uma vez que poder consiste em autoridade para fazer quem não a tem busca influenciar aquele que a detém. Esta é a base do lobby um dos jogos de poder mais expressivos. A atividade do lobby surgiu na ante-sala da Câmara dos Comuns, na Inglaterra, onde os políticos da época eram abordados por quem tinha algum interesse a defender. Nos EUA, o significado é o mesmo, só que na sala de entrada do hotel onde se os hospedavam os presidentes recém eleitos.

Existem várias sutilezas no que diz respeito ao poder, uma delas é que ele pode se apresentar na forma parda. São ricos na história e também recentes exemplos de estadistas que tinham menos poder que alguns dos seus prepostos, entre muitas sutilezas que por si só seriam objeto de vários outros textos.

É assim que sintetizo o poder, que reconheço ser um tema muito mais amplo e complexo. Por outro lado, creio que as características citadas possam ser aplicadas igualmente às relações familiares, sociais e corporativas. Feita essa primeira exposição de conceitos, darei foco ao poder no âmbito corporativo, e aqui o limitarei às relações de equipe.

O primeiro ponto que destaco é a crise de autoridade. Essa crise é um problema estrutural do poder e pode ser explicada pela delegação de responsabilidades sem a autoridade necessária. Gosto do caso citado por um amigo. Nele, o desafio consistia em saber quem era o seu verdadeiro chefe. Então, ele criou o critério: “Meu chefe será aquele que puder me conceder R$ 1,00 de aumento ou puder aceitar meu pedido de demissão”. Qual foi o resultado dessa pesquisa? Vários pretensos chefes foram eliminados da sua lista e ele passou a desempenhar melhor a sua função sendo orientado e reportando-se a quem de direito.

Uma verdade sobre o poder aplicável em equipes é que não existe vácuo. Quando alguém não ocupa seu espaço outro o fará, bem ou mal, com ou sem autoridade. É por isso que vemos chefes sendo chefiados. Isso se explica por fraquezas (que em nada combina com o poder), pelo despreparo (o jogo do poder não é para amadores) ou pela arrogância (que torna turva e compromete a visão da realidade).

O poder dos fortes é a força motriz da equipe, embora possa levá-la para caminhos distantes dos resultados pretendidos. É preciso existir equilíbrio entre força e razão. Ter poder para decidir não necessariamente significa decidir corretamente. São vastos os exemplos de decisões equivocadas.

Existe o poder dos fracos, que normalmente é desconsiderado. Se o poder dos fortes consiste na força para fazer algo, o poder dos fracos consiste em impedir ou atrapalhar que esse algo seja feito. Os fracos se disfarçam de minorias que causam grande impacto no desempenho de uma equipe.

Se no governo temos o ditador, nos reinos os tiranos, no mundo corporativo temos o déspota. Em pleno século 21, no curso da Era do Conhecimento, há ainda quem defenda princípios arcaicos da relação de trabalho como: “Para se manter um funcionário é preciso duas coisas, o salário e o medo de perdê-lo”. Essa é a versão corporativa do Poder Coercitivo, já citado. O déspota, tal qual o ditador, ignora a característica transitória do poder, e não raramente padecem quando o perdem.

O empoderamento do incapaz é um dos maiores erros que equipes e organizações podem cometer. Seu efeito deveria ser medido pela escala Richter tamanho os abalos que podem ser causados.

O lobby quando aplicado no mundo corporativo é chamado de marketing social, com o qual concordo quando feito com ética, faz parte contexto corporativo da mesma forma que a corte ao Rei no passado. O fluxo do poder (de onde ele vem e para onde vai) e a sua natureza deve ser compreendida. Esse é um aspecto muito importante e sabê-lo abre caminhos e evita conflitos.

O historiador, poeta, diplomata e músico italiano do Renascimento Nicolau Maquiavel que abordou com despudor a relação de poder na sua obra O Príncipe, na sua carta para Lorenzo de Medici, escreve:

“…assim como aqueles que desenham a paisagem se colocam nas baixadas para considerar a natureza dos montes e das altitudes e, para observar aquelas, se situam em posição elevada sobre os montes, também, para bem conhecer o caráter do povo, é preciso ser príncipe e, para bem entender o do príncipe, é preciso ser do povo…”

Podemos conhecer muitas características de um chefe (aqui representando o poder) pela observação do comportamento da sua equipe e da mesma maneira ao observarmos o chefe poderemos identificar características da sua equipe.

Chegamos ao ponto que considero ser o mais importante nesta abordagem, que é o poder do exemplo. É pelo exemplo que se obtém respeito e se modela a equipe. Isso vai muito além do reconhecimento da autoridade. Vivemos numa sociedade de laço social vertical onde buscamos o ponto de referência acima. Por tanto, quem tem poder ao exercê-lo deve ter consciência dessa responsabilidade.

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Notas:

A escolha do tema desta semana foi feita com base na recomendação do Sr.André Maia, colaborador frequente deste. O caso sobre a identificação do chefe é uma colaboração do Sr. J. Marcelo, meu amigo e guru.

Informações biográfias sobre Nicolau Maquiavel e a sua obra podem ser obtidas por consulta a Wikipédia, no link: | Maquiavel |. Há também um vídeo o “Poder do Fracos” do psicanalista e médico psiquiatra, Jorge Forbes, no Youtube que recomendo, clique aqui para assistir.

fonte: http://allegrobgblog.wordpress.com/2008/05/07/o-poder-e-seus-jogos/

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