Se Você Está Lutando Para Equilibrar Trabalho e Vida, Volte Duas Casas

“Não pergunte a si mesmo(a) do que o mundo precisa. Pergunte o que faz você sentir-se vivo(a). Porque o que o mundo precisa é de pessoas que se sentem vivas.”

Howard Thurman

Algumas pessoas adoram seu trabalho. Seja um emprego formal, seja um negócio próprio ou uma atividade autônoma.

Mas são minoria.

Cerca de sete em cada dez pessoas, segundo as pesquisas, não gostam do que fazem. Trabalham pelo salário, para pagar as contas.

Aí tem aquela sensação, que vem lá dos tempos da escola: a vida começa no recreio. Na Happy Hour. Na sexta-feira.

E acaba na depressão escura das noites de domingo.

Não me parece um bom jeito de viver.

Cinco dias com a vida toda encaixotada para dois dias de reconfortante autodeterminação.

Só dois dias para organizar seu tempo do seu jeito e se dedicar àquilo que realmente faz sentido.

Mau negócio.

Mas, afinal, o que é Trabalho para você? E que lugar ocupa na sua vida?

Acho muito estranho quando leio algum artigo sobre como equilibrar o trabalho e a vida. Ora, penso, mas o trabalho não deveria ser, ele mesmo, também Vida?

Se o trabalho não faz parte da vida, em que categoria ele está? Da morte?

Talvez…

Para algumas pessoas, sentir-se preso(a) a um trabalho sem sentido talvez seja como morrer um pouco a cada dia.

Na minha trajetória pessoal, tenho tentado bem isso: transformar, cada vez mais, o Trabalho em Vida. Até porque é intolerável, para mim, essa sensação de viver apenas dois dias por semana.

Será que você é como eu?

Então eu comecei a enxergar a coisa toda de um jeito diferente.

Parei de ver meu trabalho como o sacrifício necessário para merecer o recreio.

Deixei de encarar o trabalho do jeito que estamos programados para encará-lo: como um martírio ou uma condenação sem escapatória.

Tipo “aceita que dói menos”.

Nada disso!

Não acho que abrir mão do que pulsa dentro de nós a fim de se adaptar (e contribuir para construir) uma sociedade doente seja algo que ‘enobrece o Homem’.

Esse tipo de trabalho, que nos afasta de nós mesmos, não enobrece ninguém.

É o que sempre disseram para a gente, desde cedo: você precisa se esforçar, fazer a lição de casa, estudar para as provas, não importa o que grita desesperado seu coração. Esquece isso aí! Tire notas altas, caso contrário não vai conseguir um bom emprego.

Isso já fez algum sentido um dia. Mas faz tempo.

Nós não estamos condenados ao trabalho maçante porque, mais do que nunca, podemos criar o tipo de trabalho que faz sentido ao mesmo tempo para nós e para o mundo em que vivemos.

Então vou te contar como eu enxergo o Trabalho hoje, depois de uma série de aventuras e desventuras pela selva do mundo adulto.

Olhando para o conjunto da minha existência, considero o Trabalho um dos eixos organizadores da vida. Provavelmente o mais importante.

Eu organizo minha rotina e minhas relações a partir do que considero o meu Trabalho.

Agora estou aqui me perguntando: Será que ver o Trabalho no centro da vida é algo que te choca?

Pois e minha família? E meus filhos, meus amigos? Minha prática religiosa?

Então: o pulo do gato é que não vejo meu Trabalho como algo separado de todo o resto. Algo que compete pelo meu tempo com a minha família, minha religiosidade ou a minha vida social.

O segredo é enxergar tudo isso apenas como diferentes oportunidades de manifestar uma única realidade: meu Ser em construção.

Estar com minha companheira e com meus filhos, isso também é meu Dharma. E, ao mesmo tempo, procuro fazer de meu Trabalho a minha religião. Pois os textos que escrevo, os projetos que sonho e as pessoas que atendo são também minha maneira de rezar.

A verdade é que, o que quer que eu faça, para mim, precisa ser parte do meu Trabalho. Tudo precisa fazer parte da maneira como eu manifesto meu propósito de vida por meio da minha Ação no mundo.

Você já deve ter percebido que o que estou chamando de Trabalho, aqui, é algo bem diferente do que a gente normalmente chama de trabalho, não é?

Não tem nada a ver com sair cada vez mais tarde do escritório ou passar o tempo todo pensando em uma promoção.

Não entendo o trabalho simplesmente como o que você faz para ganhar grana.

O Trabalho é, para mim, o Caminho Sagrado.

É o que me permite construir a mim mesmo no mundo por meio da Ação.

Sinto que, para a minha vida ter um sentido mais profundo, eu preciso tornar-me, cada vez mais, quem eu já sou.

Quem eu já sou em potência, que é como a árvore mora dentro da semente.

E o melhor caminho que conheço para viver essa transformação é a Prática Constante de oferecer minha contribuição única para o mundo a partir de projetos, iniciativas e parcerias que estejam impregnados do que faz sentido para mim.

Eu quero que meu trabalho me ajude a manifestar meus talentos em sua máxima potência.

É também por meio do meu Trabalho, daquilo que eu produzo no mundo, que pretendo deixar uma marquinha da minha passagem pela Terra.

Deixar minha marca a partir da diferença que minha existência tenha feito na vida de outras pessoas e seres. E é por isso que faz sentido, para mim, enxergar o Trabalho como prática espiritual.

Agora só uma coisa, antes de encerrar: se você acha que estou falando de fazer só o que eu gosto, só o que eu tenho vontade de fazer, ou de transformar hobbies e lazer em atividade remunerada como projeto de trabalho feliz, pessoa bonita, sinto dizer, mas você não entendeu nada.

Enxergar o Trabalho não como uma das partes da vida, mas como uma maneira de viver a partir da sua Verdade não tem a ver, obviamente, com maximizar o prazer, o conforto e a comodidade.

Não que haja algo de errado com prazer, conforto e comodidade. Você gosta e eu também gosto.

Mas nada disso ajuda a vida a fazer sentido.

Não é?

Veja, uma médica que se dispõe a socorrer crianças em zonas de guerra, por exemplo, não está lá para curtir a vida adoidado. Pelo contrário: ela está exposta a uma dose de sofrimento que poucos de nós suportariam.

Então, a escolha dessa pessoa envolve renunciar ao prazer, ao conforto e, mesmo, a sua segurança pessoal, a fim de dedicar a vida ao que se sente Chamada a realizar.

Porque não há nada que nos faça mais vivos do que ouvir o Chamado da Vida e agir, sobre o mundo e sobre si, a partir do coração.

E AGORA, O QUE EU FAÇO COM ISSO?

Experimente usar sua atividade criativa, espiritual e profissional para refinar cada vez mais a compreensão do seu Dharma, daquilo que faz de você quem você é e que dá sentido a sua existência.

Mantenha-se aberto(a) ao Chamado. O que você se sente chamado(a) a realizar no seu tempo de vida?

Comece agora.

 

fonte: https://www.linkedin.com/pulse/se-voc%C3%AA-est%C3%A1-lutando-para-equilibrar-trabalho-e-vida-volte-camargo

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