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O “NÃO” INADEQUADO

Na vida, é preciso saber dizer o “não” na hora certa.

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A intervenção para negar ou impedir que se faça algo é bem complexa.

Dizer que não fez, quando está escrito na testa “fiz”, é algo desconcertante.

Crianças, imaturas, fazem muito isso. E adultos desaforados igualmente, o tempo todo. Até os que trabalham em favor da lei podem vir a negar (ou mentir).

Negar é também desconhecerobjetardesmentir, rejeitarenganarcontrariar… às vezes é arrogância e, em casos mais sutis, prevaricar e perjurar.

Só que qualquer pessoa pode mentir – é da natureza do ser humano encobrir, para o bem ou para o mal. Já trabalhar com frases contendo verdade, de maneira assertiva, é um comportamento bastante feliz.

Quanto mais negarem que o céu é azul ou insistirem na contraditória assertiva “não faça isso ou aquilo”, mais evidente torna-se o anil do firmamento. E mais compelida a pessoa fica para fazer o “proibido”.

São curiosidades sobre negação na neurolinguística. O “não” é uma abstração – por si só, nada diz. E pode reforçar o contrário.

O cérebro irá se fixar no depois: “Não pense num bombom”. O efeito será como “pense num bombom”.

“Não mexa nisso aí, Artur”. Então, já deu pra concluir.

Poderia ser melhor: “Vá brincar com aquilo que é muito bacana, Artur.” (houve a evitação do “não” e o desvio para algo permissível e atraente, em vez de mexer no que não poderia).

Inúmeros exemplos simples na psicologia forense, na psicologia comportamental e noutras áreas levam à análise da complexidade de uma mentira ou a veracidade de uma afirmativa. Não é fácil mascarar uma realidade e manter por tanto tempo.

Há técnicas para se usar o “não” de forma saudável, para uma boa comunicação.

Pode o “não” ser encaixado em frases que reforcem o objetivo pretendido a partir da permissividade pela subtração. Nisso, o interlocutor se sente considerado.

Exemplo: “Você não precisa tomar toda a deliciosa sopa que está na tigela.” (Se o seu objetivo é que uma criança resistente tome ao menos um ou dois pratos de toda a “enorme” tigela da mesa).

A criança entendeu que ela pode abreviar o “desprazer” de tomar a tigela inteira e vai consumir apenas um ou dois pratos. O objetivo final era que a criança se alimentasse. E tomou uma parte da tigela.

Aqui foi um exemplo em que se usou um artifício de comunicação.

Negar pode usar a palavra “sim”. Afirmando, dependendo do caso está dizendo que ocorreu algo que nunca existiu.

A negação que vem como repressão pode ser parte do ego impedindo o inconsciente. Quando há uma competição, o derrotado quer negar para si que é vencido ou minimizar a dor do fracasso.

Nesse caso, se alguém lhe diz:

“Você não foi derrotado. Apenas não era pra ter ganhado desta vez e por isso não mereceu.”

Ou: “Você não ganha porque não tem força de vontade. Você nunca poderá ganhar.”

São palavras derrotistas, de negação, que já deram uma “sentença” que tira a perspectiva de futuro embate com sucesso. Melhor seria o tom mais realista e acertado:

“O seu desempenho na próxima vez será muito mais proveitoso, porque você pode, tem recursos! De verdade você é bom e por isso comece já a praticar de forma a atingir esse máximo que você merece!”

O estado de negação é um mecanismo de defesa de si ou de quem aponta.

De si ocorre quando o indivíduo procura esconder um fato, se recusando a enfrentá-lo, pela dor da realidade. O fato pode provocar dor emocional, exposição negativa ou consequência maior, como uma punição coercitiva prisional. E por isso a esquiva ou a fuga.

Do outro, que aponta, pode ser por falta de cuidado, de escrúpulo ou até por inveja deixando de apoiar uma pessoa fragilizada.

Quando se quer ser taxativo, categórico, colocando-se palavreado em nível formal ou de autoridade estabelecendo regras, princípios, decisões e ordens, há franca abertura para o uso do “não” como recurso linguístico que enfatize a força do limite. Deve ser caso pontual, não corriqueiro.

uso sistemático do “não” tende a perder a força. Cria aversões.

Saber o usar o “não” na circunstância e tempo certos é ampliar possibilidades.

fonte: https://www.linkedin.com/pulse/o-não-como-impedimento-inadequado-claudio-carlos-de-souza

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